água-viva
quando morre
fica sendo
água-morta?
ou água só?
*do livro sinais do mar
literal
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
o verso
o verso é um doido cantando sozinho.
seu assunto é o caminho. e nada mais!
o caminho que ele próprio inventa...
*poema retirado do livro preparativos de viagem
seu assunto é o caminho. e nada mais!
o caminho que ele próprio inventa...
*poema retirado do livro preparativos de viagem
sábado, 6 de novembro de 2010
ora até que enfim..., perfeitamente...
cá está ela!
tenho a loucura exatamente na cabeça.
meu coração estourou como uma bomba de pataco,
e a minha cabeça teve o sobressalto pela espinha acima...
graças a Deus que estou doido!
que tudo quanto dei me voltou em lixo,
e, como cuspo atirado ao vento,
me dispersou pela cara livre!
que tudo quanto fui se me atou aos pés,
como a sarapilheira para embrulhar coisa nenhuma!
que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta
e me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada!
graças a Deus, porque, como na bebedeira,
isto é uma solução.
arre, encontrei uma solução, e foi preciso o estômago!
encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos!
poesia transcendental, já a fiz também!
grandes raptos líricos, também já por cá passaram!
a organização de poemas relativos à vastidão de cada assunto
[resolvido em vários -
também não é novidade.
tenho vontade de vomitar, e de vomitar a mim...
tenho uma náusea que, se pudesse comer o universo para o
[despejar na pia, comia-o.
com esforço, mas era para bom fim.
e assim como sou não tenho nem fim nem vida...
*poesia de álvaro de campos
cá está ela!
tenho a loucura exatamente na cabeça.
meu coração estourou como uma bomba de pataco,
e a minha cabeça teve o sobressalto pela espinha acima...
graças a Deus que estou doido!
que tudo quanto dei me voltou em lixo,
e, como cuspo atirado ao vento,
me dispersou pela cara livre!
que tudo quanto fui se me atou aos pés,
como a sarapilheira para embrulhar coisa nenhuma!
que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta
e me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada!
graças a Deus, porque, como na bebedeira,
isto é uma solução.
arre, encontrei uma solução, e foi preciso o estômago!
encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos!
poesia transcendental, já a fiz também!
grandes raptos líricos, também já por cá passaram!
a organização de poemas relativos à vastidão de cada assunto
[resolvido em vários -
também não é novidade.
tenho vontade de vomitar, e de vomitar a mim...
tenho uma náusea que, se pudesse comer o universo para o
[despejar na pia, comia-o.
com esforço, mas era para bom fim.
e assim como sou não tenho nem fim nem vida...
*poesia de álvaro de campos
o último poema
enquanto me davam a extrema-unção,
eu estava distraído...
ah, essa mania incorrigível de estar
pensando sempre noutra coisa!
aliás, tudo é sempre outra coisa
- segredo da poesia -
e, enquanto a voz do padre zumbia como
um besouro,
eu pensava era nos meus primeiros sapatos
que continuavam andando, que continuam andando,
até hoje
pelos caminhos deste mundo.
*poema retirado do livro preparativos de viagem
eu estava distraído...
ah, essa mania incorrigível de estar
pensando sempre noutra coisa!
aliás, tudo é sempre outra coisa
- segredo da poesia -
e, enquanto a voz do padre zumbia como
um besouro,
eu pensava era nos meus primeiros sapatos
que continuavam andando, que continuam andando,
até hoje
pelos caminhos deste mundo.
*poema retirado do livro preparativos de viagem
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